segunda-feira, 23 de maio de 2011

Caligrama I

Primeira brincadeira com os caligramas! Bem gostoso de fazer; imagino como o Apollinaire se divertia com isso.

manhã - 22/01/2011


Por que o fantástico, a escolha pela fantasia? A pergunta, simples, não tem como par uma resposta satisfatória.

Talvez eu ame o fantástico por não acreditar ou não me satisfazer com o que o real me traz, seja ele o cotidiano, seja a literatura. Posso assegurar que a literatura sobre o tédio burguês, que tanto ensinam nas faculdades, é pra mim tão enfadonha quanto um pão seco e um copo de café com leite, ou seja, tem lá sua utilidade, mas não me interessa de modo nenhum. Em contrapartida, a literatura do estranho exerce um fascínio sobre mim, proporcionando curiosos estados de alma, uma euforia misturada com estupefação. É algo difícil de explicar.

Percebi minha necessidade por ângulos diferentes e curiosidade pelo novo, embora esse novo geralmente não se coadune com as novidades práticas ou úteis de modo imediato, ao passo que teorias e visões particulares de mundo encantem-me - exceto as filosofias metafísicas que pressupõem estruturas rígidas e engessantes. Não as chamaria de falsas, pois julgo que "realidade" é um conceito aberto que depende muito do observador.

Novamente, por que o fantástico? Uma escolha, uma inclinação? Sei lá a resposta.



Imagens:
Emma Bovary, Charles Léandre.
Gilgamesh, Yoshitaka Amano.

Máximas mascaradas

E um monte de gente pensa assim.

"Não basta estar bem; você deve estar ótimo."

manhã - 16/09/2010

Fui lá comprar um presente. Escolhi uma caixa bem bonita, roxa com bolinhas brancas.

Aproveitei e fui até a seção de discos. Procurava algo que prestasse na parte de música brasileira, até que ouvi uma voz que soava entre o solícito e o mecânico: "A velha guarda fica aqui, logo embaixo do chorinho". Fui ao outro lado da prateleira e vi o vendedor se afastando, enquanto seu interlocutor se abaixava, um homem idoso mas de muito vigor, poucos cabelos e mãos inquietas que não passavam mais do que três segundos sobre cada caixinha.

- Essa Revivendo tem capas horríveis - tentei entabular uma conversa. A resposta foi um "é..." meio entediado, seguido de uma pergunta, semelhante a um teste para iniciados, respondida até que com certa facilidade.

A conversa seguiu e foi muito boa, embora curta. Não sei se lisonjeiros ou imprecisos, mas estimamos as idades, 20 e 65; erros grosseiros, tínhamos 29 e 79. Ele, fã de Dalva de Oliveira, faz aniversário dia 20 de setembro! Chegamos a cotejar algumas similitudes virginianas, ele com LPs, eu com livros.

Seu nome eu esqueci, mas tinha cara e jeito de Antônio, além do mesmo espanto que o meu, encontrar alguém com gosto musical semelhante.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pessoas muito parecidas são como dois pássaros voando juntos: ao se tocarem, correm o risco de cair.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pequenas mudanças

Mudei um pouco a descrição do blog.

Eu achava a anterior mais bonitinha e tudo o mais, mas um pouco pedante...
E troquei a foto também! A anterior era de 2006. De lá pra cá meu rosto mudou um pouco, o cabelo, as atitudes. Amadureci bastante ao longo desses anos, e pegando o que venho escrevendo, a diferença se nota.

Bom, vou deixar a antiga descrição aqui pra que fique registrada - e porque eu achei bonita, conforme já disse. ;)

"Aqui atualizo e exponho algumas das dúvidas, limitações e pequenas alegrias de meus dias, de modo titubeante e esparso, como cabe a um indeciso de mão cheia. É meu pequeno patíbulo onde mato as horas ainda não mortas, sepulto as ideias e vejo-as renascer sob outro signo."

Manhã de maio

Minha cabeça anda toda invencionada.
Pra todo o lado que olho,
que na verdade é o lado de dentro,
vejo a mesma coisa, escondida por mil cifras.
Embora eu desejasse explicar do modo simples,
as coisas só me vêm de jeito torto,
que é o jeito certo, já que galho não tem régua.

A melhor coisa a fazer é abrir a janela.
Sentir a lufada de ar rir no meio dos cachos,
a luz perene acariciar a pele
e a terra murmurar que está com sede.