Estava aqui pensando no tanto que cisnes aparecem na Primeira Era do Tolkien. Os que puxam os barcos telerin, Alqualondë — Porto dos Cisnes, os cisnes de Ulmo guiando Tuor, que encontra armas com tema de cisne... e não sei o quanto disso não é influenciado pela lenda medieval do "cavaleiro do cisne".
| Ilustração de Ted Nasmith, em que cisnes voam atados à proa de brancos brancos, puxando-os. |
A ideia básica é a de um cavaleiro que chega num barquinho puxado por um cisne e salva uma donzela em perigo, aquelas patacoadas de novela de cavalaria. Loherangrin é uma personagem do ciclo arturiano, aparece em Parsival (obra de Wolfram von Eschenbach) e é conhecido como o "cavaleiro do cisne".
Em meados do século XIX, Richard Wagner, aquela pessoa... complicada, escreveu a ópera Lohengrin, já com o nome moderno da personagem, que novamente bota um coitado dum cisne pra puxar charrete aquática. O curioso é que há muita iconografia também de um escudo com a imagem de um cisne.
| Mais algumas representações do herói. |
É curioso porque esse tema foi retomado na história de Tuor, que encontra elmo, espada, cota de malha e um escudo que traz um grande emblema de asa de cisne sobre um fundo azul (segundo a variante da história em Contos Inacabados). Ele também é guiado por cisnes, mas num tom de contos de fadas.
E toda essa volta foi só pra dizer que gosto muito de como o Ted Nasmith ilustrou esse momento: ecoando a iconografia moderna da lenda do cavaleiro do cisne com um simples detalhe, ao representar um cisne inteiro em vez de só uma asa.
Texto adaptado de postagens na rede social Bluesky:
https://bsky.app/profile/ferques.bsky.social/post/3l7a7a5ldyl2x
Legendas das imagens a partir de descrições para acessibilidade.
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