terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

09/02/09


Estou a poucos metros. Talvez nada possa me parar agora, exceto meu micromundo. Hoje é dia de simetria, em que os hemisférios se olham sem se tocar, sem que haja contato físico entre planetas. Mas mundos começam a se entrelaçar. É perigoso. Pode ser entropizante. Mas é energia, é vibração emanada de momentos.

"I started a fire and watched it grow
and now it burns out of control"


A banda se chama Ash. O nome é sugestivo, pela ideia de renascimento que carrega. Pela palavra-chave que perpassa minha cabeça: mudanças.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Subterfúgios para a arte do voo


Pulei barrancos, passei por frestas impensáveis, quebrei cadeados, rasguei alambrados. Antes, ainda, escalei muros, desviei de motos sem disciplina e automóveis desalmados.


Corri, corri muito. Ainda distante da arte de voar, descansei sobre a sombra de um chorão, último dos seus naquele bairro empoeirado que eu atravessava. Aquela árvore frondosa trouxe-me lembranças difusas da infância, quando eu amarrava um pano no pescoço e revoava o mundo plano de meu velho quintal, que não é mais.

Por ter desaprendido até mesmo a deixar o vento me levar, corro. Prefiro correr a jazer morbidamente dentro de um carro.

Espero chegar logo a meu destino.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Epigrama de Seikilos

Antes de tudo, peço desculpas pela transcrição do grego. O programa que utilizei não me permite aplicar todos os acentos necessários, então o negócio acabou ficando meio cambaio.

O epigrama de Seikilos é considerado o primeiro registro de instruções musicais do mundo ocidental, algo como uma mini-partitura. A parte dos versos é um epigrama e, com o estilo sintético característico a esse gênero, trata da brevidade da vida e da necessidade de fazermos o possível para vivermos de forma alegre, tendo em vista que não duraremos muito tempo neste mundão.

Seikilos, aparentemente, é o nome do artista que criou o monumento onde o epigrama e a "partitura" estavam entalhados. Era costume grego que alguns artistas entalhassem frases em suas obras, como "Aristarco me criou"; é como se às obras tivesse sido dada voz, para que quem as visse soubesse qual a origem delas.


ΣΕΙΚΙΛΟΥ

όσον ζής φαίνου
μήδεν όλος συ λιπού
πρός ολίγον εστί τόν ζήν
τό τέλος ό χρόνος απαίτει

FEITO POR SEIKILOS

Enquanto vives, brilha!
Acima de tudo não sofras
curta é a vida
o termo, o tempo cobra.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

MUSE

Muse é A banda pra mim. No final do ano passado, perdi os poucos giga de música que tinha aqui quando minha antiga HD deu pau. O curioso é que eu havia feito backup das músicas de meu irmão, mas quando fui fazer das minhas...babau. Depois de tanto tempo sem ouvir essa banda e também sem postar aqui, a empolgação de ouvi-la novamente me fez dividi-la com os seres randômicos que por ventura caírem aqui. Ouve aí e depois me conta, tudo bem?


New Born



Muscle Museum

Avulsos II

Estou ouvindo um som muito legal enquanto escrevo. Já paguei o aluguel e o IPTU deste apartamento; ainda falta a mesa, o sofá e as promessas de fim de ano (sem hífen, sem hífen!).

Evidentemente estou acordado agora – oh! – e continuo da mesma maneira que estava há um mês, dormindo pouco e consequentemente (sem trema, sem trema, aaaaaargh!) babando em cima do serviço. Mas isso não quer dizer que as provas saem babadas. Eu espero elas secarem, e ainda faço meu serviço de maneira benfeita.

A dica de hoje é: procrastine sempre que possível e faça bom uso de sua insônia. (Esta última frase nada tem a ver com o resto do post.)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ergo-me, logo sumo

Corra, esteja atrasado. Entre numa lanchonete e peça um lanche que você não conhece. Coma apenas metade, porque o pouco de gosto que o sanduíche tem é ruim.

Aproveite e olhe para o fundo da embalagem: dados nutricionais. Confira a quantidade de sódio (em valor relativo ao máximo permitido/aceitável por dia) existente naquele inocente pão com um tardiamente descoberto naco de bacon e, enfim, levante-se e jogue seu lanche fora.

Um McNífico hoje, a osteoporose amanhã.

sábado, 6 de dezembro de 2008

aconteceu mais uma vez (poema prosaico)

Eu tinha um poema lindo para escrever.
Infelizmente não havia canetas
e o único papel que carregava
era uma edição dos poemas de Borges.
As idéias brotavam e, embora conciso,
seria um bom poema
com cara de epigrama
mas dizendo tudo.
Seria minha epopéia final
toda minha vida sem desmedidas
contada num átimo, numa espanada de lápis
Mas eu não carregava um lápis, mas
apenas idéias soltas e ligadas por fios de intenção.

Minha epopéia acabou na minha memória,
que a sepultou de vez. É melhor assim,
a obra não feita ou incompleta
é aquela que sempre traz lembranças
as melhores que poderiam existir:
lembranças do porvir.