terça-feira, 15 de maio de 2007


Post duplo!

Há um tempinho atrás, um texto meu sobre o sítio de Glauco Mattoso, contendo um manual de versificação, foi publicado num site de literatura e cultura – o Cronópios (endereço na seção de linques do blog).

Fiquei animado por ter sido este meu primeiro material crítico – mesmo que não tenha ficado excelente –. Bom, fica aí o registro.

Pra quem quiser dar uma olhada, o sítio desta obra de Glauco Mattoso é este.


domingo, 29 de abril de 2007

Sobre o revisor pobre

Empunha uma caneta em cada mão!
Rupestre tal ofício: corrigir
os erros de quem erra ao se exprimir
com verbo, fraseado, conjunção.

Parece reescrever co'a gasta mão
os textos, numa lida qual faquir,
de novo preparado a redigir
correndo pra entregar na data então.

"Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!"
Em busca de sua paga pro aluguel.
Receio de verdade é ir pra rua.

Os olhos castigados por cinzel
pontudo da chatice da leitura
dos textos editados a granel...




Num dia em que eu estava mais engraçadinho do que o normal escrevi esse sonetinho aí...

terça-feira, 27 de março de 2007





Do alto de minha janela
o silêncio da avenida.

Leve zumbido
gostoso.
Sibilo de vento.

Branco(Verde?) de lâmpadas enganosas,
o duvidoso escuro noturno.





segunda-feira, 26 de março de 2007

Acordação

Noites de des-sono
que repasso.
Que vêm e vão e
nem notadas são.
De uma treva escura tão

surge

uma aurora de azul-branco
que janelas fechadas
não me deixam ver.

Acorda, boneco de trapo, e
vai trabalhar!





domingo, 25 de março de 2007

Psicologia de um vencido


Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos



Li poucas coisas tão pungentes quanto esse poema. A sensação que vem primeiro é a de ondulação, mistura ordenada de sons fluindo no fundo de um poço escuro.
Esses versos não saem da minha cabeça. 2h41, tenho de dormir.


Sorte no lado escuro do peito
é o jeito de ser do alguém
Escrita automática, idéias confusas
meu jeito de ser é o aquém

Dó de mim

Juro que não vou mudar
Juro que vou esperar
dentro do lado escuro do peito

Juro que não vou mudar
Juro que vou esperar
Sempre vou ser assim do meu jeito.


Talvez tenha um ouvido meio musical, pra coisa mesmo. Talvez seja só vontade de ser algo que não posso. Por que escrevo sempre de madrugada? É a melhor hora. Ninguém me lê, tenho minhas liberdades todas no escuro do meu lar. As pessoas dormindo e eu escrevendo, sangrando pelos dedos e nem sempre criando algo que tire um sorriso meu nem mesmo numa primeira e empolgada leitura. Às vezes acho que não levo mesmo jeito pra coisa.

Não agüento parar mais as coisas pela metade.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Pensamentos avulsos

Não suporto mais a cidade, todo esse barulho, calor. Acordo para ir trabalhar e, já próximo, sinto um cadeado apertar-me a garganta, uma secura, poluição.

Todo esse barulho me faz mal, ao menos pela manhã. Ao chegar da tarde já estou integrado ao caos, por mais que soe (sou) contraditório.

O prédio onde trabalho tem quatro andares – trabalho no último. Não gosto de elevador, escada rolante...a escada rolante é a negação do movimento! Que venha abaixo a escada rolante!...


Entre o falso e o costumaz me esgoto
Vivendo numa quase-cidade: esgoto.
Mirando o meio-fio desengulo o desgosto.

Vivo pois assim, numa coisa
estranha que em mim cria
sensação de não sei dizer.

Cidade, às vezes acho que te odeio.


Esta luta diária me deixa lento, mole e murcho. Só me dá vontade de olhar pro céu, pra rua, ver as pessoas passarem, todas com pressa...

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Último álbum da banda paulistana com mais de trinta anos de carreira – uns dez de inatividade.
Muito saboroso, vale a pena conferir!

Download aqui.